“Tema: Ouvir x Falar”

Indubitavelmente a vida é constituída por um singular paralelo: O berço e o túmulo.

O sábio Salomão faz uma clássica descrição deste fato argumentando que há tempo para tudo debaixo do céu gerando uma singular convergência naquilo que possivelmente se procuraria obscurecer.
Não consigo pontuar todos os meus atos como menino, mas num cadenciado esforço consigo catalogar flagrantes pormenores que se adensaram a minha assemelhada história.
(Quase todos nós temos uma história parecida).
falar-ouvirNo ontem; vivemos os momentos da retórica, comprimidos no desejo de dar respostas ou mesmo de traçar as linhas das nossas insanes atitudes.
No ontem; enxergamos os sóis que brilharam no fulgor das nossas mentes brilhantes, sem em nenhum momento imaginar que estes indescritíveis raios se apagariam no bloqueio das paredes intransponíveis do nosso teimoso coração.
No ontem; quantas vezes adormecemos carregando a tragédia dos pensamentos deteriorados de construções frágeis edificadas por fracos guardiões da vida.
ouvir-notícias_1É possível que minha falta de freios e modelo inadequado de viver, tenha me ensinado a ser veloz, porém sem imaginar que este meu jeito me tenha tornado:
1. Num juiz que não sabe arbitrar;
2. Num motorista sem habilitação;
3. Num desenhista sem habilidade e conhecimento dos devidos traços;
4. Num tribuno; sem conhecimento gramatical;
5. Num médico; sem ser devidamente habilitado para clinicar;
Atenção! É hora de ouvir o que a bíblia diz.
O muito falar jamais será modelo fiel de defender coerentemente as prerrogativas da sublimidade da fé, (a Bíblia recomenda que sejamos tardios no falar) isto porque a defesa da fé não se manifesta na indicação dos nossos erros, mas sim, na devida correção dos nossos fracassos.
Imagino que os cristãos ainda não aprenderam a ser moderados. Nosso poder para arbitrar decide todas as partidas antes que estas terminem.
Nossa lógica, rigorosamente imputa indistintamente sobre nosso(a) irmão(ã) a culpa ou atribuição que lhe achamos devida.
No longo dos meus 65 anos, concluo que o falar é o artifício mais indevidamente legitimado do que o sensato ato de ouvir, isto porque a aplicabilidade do falar tem efeitos mais rápidos e sua abrangência tem uma geografia sem limites.
O ouvir produz sensatez, paciência, surpreendentes descobertas, amadurecimento e coerência. O bom ouvidor não se apressa em concluir por que arrazoar é rédeas para as medidas dos cavalos que passariam por cima do suposto infrator. Ouvir não é rasgar compromissos agendados. Ouvir é olhar para o relógio e dizer: chegou a hora; ouvir é entender o momento de Deus. Tenho a impressão clara que ouvir é a lente da razão. Quem ouve bem não tem dúvida daquilo que cuidadosamente identificou. Portanto diz a Bíblia:
Sejamos prontos para ouvir; tardios para falar.

Pr. Samuel Dionísio de Veras


O texto acima foi Publicado no Boletim nº 1069, de 10/04/2016

O Editor