“Família: uma muralha a ser vigiada” (Rev. Vida Cristã)

“Ora, uma vez reedificado o muro e assentadas as portas, estabelecidos os porteiros, os cantores e os levitas (…) E lhes disse: não se abram as portas de Jerusalém até que o sol aqueça e, enquanto os guardas ainda estão ali, que se fechem as portas e se tranquem; ponham-se guardas dos moradores de Jerusalém, cada um no seu posto diante de sua casa”. (Neemias 7:1,3).

“Como os guardas colocados por Neemias para proteger suas casas, devemos resguardar nossas famílias dos males da sociedade pós-moderna”. 

Em muitas igrejas evangélicas, o período compreendido entre os dias das Mães e dos Pais é dedicado a uma reflexão mais profunda sobre a importância da família, É muito comum, nesse período, vermos congressos, seminários e palestras versando sobre essa temática. Entretanto, em nossa sociedade pós-moderna, a importância da família estruturada, típica (pai, mãe e filhos), unida e espiritual tem sido relativizada e relegada, quando muito, a segundo plano.

O bombardeio para desestruturar a base familiar vem de todos os lados. A banalização do sexo, o descompromisso com o matrimônio, a cobiça alimentada pelo consumismo desmedido, o “amor descontraído” (sem qualquer preconceito e compromisso), o enfraquecimento do poder paterno, tudo isso tem sido promovido de forma maciça pela mídia, referendado pela justiça e até mesmo por alguns setores religiosos. O efeito disso sobre a estrutura familiar tem sido desastroso.

É válido observarmos o contexto em que Neemias viveu e atuou, que nos oferece um cenário interessante para avaliarmos o que tem acontecido nos dias atuais em nossa sociedade. Quando Neemias voltou para Jerusalém, encontrou a cidade em total ruína. As muralhas tinham sido derrubadas e, por conseguinte, a destruição se abateu sobre a cidade desguarnecida. Penso que algumas muralhas que de alguma forma protegem nossa sociedade também estão sendo gradualmente destruídas.

Certamente, uma delas é a família estruturada e saudável. Dizem que a família é a célula mãe da sociedade, e de fato o é. Assim sendo, quando essa célula básica se encontra em um processo de deteriorização, todo o corpo caminha para a ruína. Quando observamos a corrosão moral e ética da nossa sociedade, resta-nos perguntar a quantas andam nossas famílias que também funcionam como uma espécie de muralha para nossa igreja. Se elas estão estruturadas e fortalecidas, nossa igreja também estará. Mas o inverso também é verdadeiro. Precisamos guardar as muralhas de nossa igreja e de nossas famílias.

Repare que os porteiros (guardas) colocados por Neemias não eram sacerdotes, mas gente comum, do povo. Outro ponto importante era que, além disso, cada um tinha seu posto de vigia diante de sua casa. Logo, para atingir o objetivo de proteger a cidade toda, cada um deveria proteger a sua família.

Que lição esse texto traz para nós! Para que nossa igreja esteja protegida dos ataques do inimigo e cresça forte e saudável, não é preciso que todos sejamos pastores, presbíteros, diáconos ou líderes; contudo, é imprescindível que cada membro e congregado de nossas igrejas coloque seu posto de guarda na frente de sua própria casa, guardando assim sua família.

Que, em todos os meses do ano, não apenas em datas e dias especiais, renovemos nossas forças para a árdua, porém nobre e gratificante tarefa de guardar a frente de nossas casas!

Eduardo Athouguia – Revista VIDA CRISTÃ – nº 239

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