“Qual o hino que Jesus cantou na última Páscoa?”

“E assim, após terem cantado um hino de louvor, saíram para o Monte das Oliveiras.” (Mt 26:30).

Naquela que seria a última Páscoa, Jesus, o Cordeiro Pascal, come com seus apóstolos, consciente do que lhe aconteceria. A partir daquele momento, sua Paixão, Morte e Ressurreição estariam prestes a acontecer e, por essa razão, Ele não vive o momento simplesmente como outra festa hebraica, mas dá a essa cerimônia um caráter bastante diferente: doa a si mesmo, antecipando assim sua cruz e a sua ressurreição.

As novidades deste jantar são os gestos do partir do pão e a divisão do cálice, com as palavras que os acompanham que sublinham o contexto de oração e comunhão que imperava naquela ocasião. Aquele momento de encontro com os discípulos à mesa antes de ser preso tem o seu desfecho com um momento de louvor, pois o Evangelho segundo Mateus menciona que Jesus, juntamente com os Apóstolos, “cantaram um hino”.

Ao término de cada celebração da Ceia Pascal se cantava (ou recitava) os Salmos de Hallel.

O Hallel (Do hebraico הלל‎, “louvor”) era uma “coletânea” de músicas que celebravam os acontecimentos da vida e demonstravam a alegria de ter Javé como Deus e redentor de Seu povo, e eram usados na liturgia judaica durante as festas da Lua Nova, dos Tabernáculos, do Chanukah, de Pentecostes, inclusive na Páscoa. Esta “coletânea” de música será dividida da seguinte forma: Salmos 113 a 118 (Pequeno Hallel), o Salmo 136 (Grande Hallel) e o Salmo 150 (Hallel Final). Todos eles fazem exaltação a Deus com cantos e músicas como ação de graças pela vitória do Messias.

É provável que no momento descrito no versículo 30 esteja em vista a última porção desse Hallel, embora alguns eruditos suponham que se tratava do Grande Hallel.

Seja qual tenha sido o Hallel entoado, a verdade é que Cristo participou deste momento com seus discípulos (às vezes, confesso, fico imaginando quão bela era sua voz).

Seria de grande valor se alguns músicos também utilizassem os Salmos para o louvor na congregação, assim evitando o caos que se instalou na música gospel brasileira e que tem deturpado o sentido real da palavra de Deus.

Pr Alexandro de Souza Felizardo

SUPERINTENDENTE DA EBD


O texto acima foi Publicado no Boletim Semanal de 16/04/2017

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